O jogo das cadeiras: Os 3 mandamentos dos futuros empregados

O jogo das cadeiras: Os 3 mandamentos dos futuros empregados

O jogo das cadeiras

Há sempre uma cadeira a menos. No jogo das cadeiras diz que é preciso dançar ao som da música. Sempre em círculo – a correr atrás da causa. Quando alguém desliga o rádio, os que estavam a olhar para o lado  ficam sentados no chão. Não raras vezes – são os de maior coração. Porém, não vos inquieteis: há sempre uma cadeira a mais, para estes senhores fulanos de tais.

Ao talentoso e ao esforçado. Ao competente e ao singular. Ao sublime, ao excelente e ao parente do divino. Aos bonitos com os dentes tortos e a todos os que ainda não estão mortos. Aos jornalistas que não têm pão. E aos demais de qualquer outra profissão. Aos profissionais da minha e da tua geração. Há sempre outra cadeira para estes senhores fulanos de tais, com a pilha do coração a dar as últimas no sinal mais. Aos primeiros que me escreveram e ao  último: ao Xavier. Levantem-se e andem.  Garanto-vos que os grandes tubarões também não têm lugar certo, numa profissão que é uma travessia no deserto.  Leiam o que está escrito debaixo da cadeira, a caneta dourada: “não há-de ser nada”.

O sucesso é um trabalho a tempo inteiro

Ninguém quer saber se desistimos ou se levamos com a cadeira nas costas. Só a nossa família – a nossa mãe, o pai, os filhos, os irmãos ou as irmãs. Ou quem nos tenha criado. Ou uma amiga de sangue. Ou um brother from another mother. O resto do mundo não quer saber . Zero. Raíz quadrada de zero. Zerinho. Menos um. Para o resto do mundo é mais um sentado no chão e menos um na competição. Menos uma raíz quadrada, para ser calculada. Num mundo onde até os desqualificados ocupam cadeiras , os sublimes têm que se levantar, de todas as maneiras.

O sucesso dá trabalho, todos os dias. E, podemos não conseguir já, se calhar vamos ter que esperar para amanhã. Saber levantar-se do  rés-do-chão e levitar em contra-mão: é esta a diferença entre as cadeiras bem sucedidas e aquelas com as pernas partidas. Aquelas com uma perna de pau enterrada no chão, sempre à espera que se abra um alçapão. O medo carimbado no passaporte nunca vos vai deixar aterrar nas costas do sucesso. Caíste? Levanta-te. Ficaste sem cadeira? Senta-te no rés-do-chão. Quando não tiveres mais nada para chorar põe-te a andar e vai levitar, para o primeiro andar. Faz tudo outra vez, patamar a patamar. O sucesso vive numas águas-furtadas e também já levou umas valentes pázadas. Mas levantou-se do chão e agora sabe levitar em contramão.

Em jeito de medo não tem jeito nenhum

Analisem as grandes corporações e os grandes magnatas.  Umas vendem o medo os outros espalham medo. Nada vende mais notícias do que o medo. Perguntem ao Rupert Murdoch – o império dele espalha medo ás colheres. A fórmula é simples. Criar situações de medo e martelá-las até não poder mais. Assim que o medo esteja bem tatuado no pelo da manada é só esperar que as massas sigam o cajado que promete segurança – e chamar “ovelhas chonés” aos que são alérgicos ao queijo de cabra ou à carne de bovino.

O medo é uma ferramenta de controlo do governo, da religião e das empresas.  O governo segue orientações baseadas na escassez e no receio que não haja o suficiente para todos. A religião tem o seu valor espiritual, mas com ecos de ignorância sobre a beleza do mundo natural e a causalidade científica. O comércio, o marketing, os mercados e as empresas relacionam-se imediatamente com o nosso sentido de sobrevivência. Muito para além de perdermos ou conseguirmos um emprego é algo que está na nossa psique: pensamos de forma monetária, atribuímos valor e associamos o nosso tempo a dinheiro. De repente ficamos avarentos, agarrados,  forretas, mesquinhos, sovinas, mãos de vaca – you name it – relativamente ao sentido de partilha e à verdade universal da minha avó do: “senta-te aí, chega para todos”.

Dão-nos isto juntamente com 3 palmadas quando nascemos. Vemos os nossos pais a lutar pelo dinheiro e criamos uma estrutura mental baseada na escassez – pelo menos a maior percentagem de nós, porque os outros estão no governo, na religião ou nas empresas. O melhor é não papar missas nem papar grupos.  Parece tão difícil desempenhar outro papel, mais uma vez, com medo de ficarmos sem papel, que criamos o denominado Síndrome de Estocolmo. Depois de submetidos a tanto tempo de intimidação, desenvolvemos uma espécie de empatia e aceitação face ao agressor, ou ao empregador. Ou aos dois. Em jeito de medo não tem jeito nenhum. Não coloques um assento na palavra vítima nem escrevas “medo” com letra grande, principalmente, no início de uma nova fase.

1 – What do you want?

O que é que queremos? Mesmo. Exatamente.  Qual é a cadeira em que te queres sentar. Já decidiste?  É mesmo essa – é a do encosto, não é a das rodinhas? Como é que podemos atrair o trabalho que queremos se nem sequer sabemos o que queremos? Ou o que não queremos. Se nem sequer sabemos de que é que andamos à procura. É preciso decidir, saber e orientar. Ser específico e visualizar. É preciso escolher a cadeira no dia da primeira entrevista e acreditar. É preciso ser específico, para saber como por as rodinhas a rolar e que isco  lançar. Não se consegue apanhar um tubarão com uma minhoca. E o que é que a empresa anda à procura? Não sejam o tubarão de uma corporação que só precisa de uma minhoca.

2- See yourself as a commodity on the market (Brent, ouro, ferro, borracha, café, algodão).

B2B. Business to Business. Uma relação de mútuo benefício. Eu dou-vos a minha matéria-prima vocês pagam-me. O talento negoceia com base no barril de Brent ou na barra de ouro. Crude puro e ao quilate. Também negoceia a ferro. O nepotismo negoceia com base no barril de Brent ou na barra de ouro. Crude puro e ao quilate. Também negoceia a borracha, porque os amiguinhos e os familiares são muitas vezes uns apagados. O putismo negoceia com base no barril de Brent ou na barra de ouro. Crude puro e ao quilate. Também negoceia a cafés  e a lençóis de algodão. Já perceberam a importância de nos levantarmos do chão?

3- Cut the middle man and don´t negotiate with terrorists

Eliminação total de intermediários. Decidiram o emprego que querem agora… Silêncio, por favor, que se vai negociar ao barril. Esqueçam a prima da tia, que tem um cunhado, que esteve no bailarico com a secretária do fulano, que faz o catering nos jantares de Natal da vossa futura empresa. Descubram quem é o Obama, o Donald Trump, o Papa, O Bill Gates, o Michael Bloomberg,  basicamente só queremos falar com o Steve Jobs lá do burgo e sair de lá com um job. Cut the middle man. Um talento que negoceia em crude puro, ao quilate e a ferro sabe como conseguir uma reunião com altos perfis. Colocar-se nas mãos de intermediários ou da prima da tia, que tem um cunhado, que esteve no bailarico com a secretária do fulano, que faz o catering nos jantares de Natal da vossa futura empresa, é a mesma coisa que pagar aos traficantes de imigrantes ilegais para fazer a travessia do Mediterrâneo. Prometem-vos a Europa e o mundo e antes de chegarem ao destino atiram-vos ao mar. Nunca fiando… Silêncio, por favor, que se vai negociar ao barril.

O sucesso vive numas águas-furtadas e também já levou umas valentes pázadas. Eu vivo num armário preto, mas não esperes que te empreste um véu negro, para o teu próprio funeral. Levanta-te como uma Princesa, não porque tenhas um nariz empinado ou andes à procura de um príncipe encantado, mas porque o teu pai é um Rei. Levanta-te como um Príncipe,  porque a tua princesa precisa de um futuro Rei. Cria uma assinatura. Sê alguma coisa e autografa o teu trabalho com excelência. Levanta-te e anda. Já agora faz-me outro favor – vai regar as plantas às águas-furtadas.

PT

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Patrícia Tavares

International journalist, writer and voice over artist. Patrícia Tavares is a Portuguese journalist based in France, specialising in broadcast, online and print fashion journalism. Currently working at Euronews television channel and contributing to a variety of publications and digital platforms at the forefront of the fashion industry. A presence at Paris Fashion Week and top fashion events around Europe. Soon to be an author and considered influential with an edgy vision on her fashion and lifestyle blog.

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